CEM ANOS!
IV — Pessoas com História
Uma outra grande dificuldade para a vida não só da Revista, mas da própria F.R.P., advinha da Censura Postal. A violação da correspondência, a que foi dado o nome eufemístico de “intercepção postal”, da nossa Instituição e de uma parte conhecida dos seus membros, tornou--se uma prática rotineira pela suspeita de haver entre eles “desafectos ao regime”. Esta actividade era exercida por serviços especiais junto dos centros de tratamento da correspondência e encomendas dos CTT e abrangia toda a correspondência do país e a proveniente do estrangeiro. A vigilância da correspondência de um expedidor permitia ampliar a rede de observação sinalizando os seus correspondentes, que ficavam referenciados na polícia política PIDE/DGS.
Obras destinadas à instrução e pesquisa, importadas do estrangeiro, eram devolvidas com uma declaração humilhante para o prestígio do nosso país: “Circulação Interdita por Conter Literatura Rosacruz”.

Foi o exemplo vivo de um homem corajoso e incansável, capaz de identificar, com lucidez, o princípio do dever para com os outros ou de outras causas, princípio esse que podemos entender como a vitória da paixão para servir os outros sobre os interesses próprios.


