JARDIM INFANTIL
O Medo e os Seus EfeitosLogo na infância a criança é vítima do medo! Por toda a parte se pratica o crime de escrever para as crianças histórias horripilantes, nas quais o medo ocupa o principal papel, em lugar da ternura e da virtude! E até aos nossos dias se não pensa a sério numa literatura para crianças, inteiramente livre do medo ou do feio. Por isso, uma grande parte das nossas debilidades se deve ao temor que faz parte de cada célula dos nossos corpos e nos tolhe muitos movimentos salutares.
A criança educada no medo encontrará dificuldades no seu desenvolvimento futuro. Por esta razão a literatura para a infância devia ser objecto de aturada fiscalização, com o propósito de evitar que fossem publicados livros escritos por autênticos psicopatas, que só no medo e no grotesto encontram inspiração para os seus trabalhos.
A criança necessita de ambiente apropriado ao seu desenvolvimento. Mas, por toda a parte, esbarra ou com a falta desse meio ou com meios onde o medo pontifica. Até a religião explora o mesmo negro filão, o medo! Por isso, os princípios religiosos a ensinar às crianças devem ser inteiramente despojados do medo e associados à virtude e à mais sã ternura, para que aprenda, logo no começo da sua vida, a amar aos outros seres e a ver neles a obra maravilhosa do divino Criador, a quem reverenciamos sob o nome de Deus.
Porque razão devemos evitar as narrativas tendentes a despertar medo nas crianças?
Esta pergunta aflorará, por certo, ao cérebro de muitos dos nossos leitores e por isso lhe damos já a necessária resposta, que é, afinal, o objectivo deste artigo.
A nossa vida desenvolve-se no meio de seres invisíveis à vista física, os quais pertencem aos mais variados tipos. Esses seres espirituais, que vão do mais alto ao mais baixo grau, trabalham connosco e para nós. Mas, cada categoria de seres tem as suas vibrações próprias, que se comunicam a nós e as nossas a eles, num intercâmbio perfeito.
As nossas emoções de alegria, de tristeza, de prazer, de sofrimento, de optimismo, ou de derrota comunicam-se a esses seres e atraem-nos para nós! Se as nossas atitudes são as de quem busca a vitória por meios serenos e justos, podemos contar com a total ajuda dos seres que vibram nessas mesmas ondas e então as nossas vidas irão de bem a melhor! Mas, se os nossos pensamentos são de receio, atrairão seres que pertencem a essa mesma gama vibratória e desta maneira o receio aumentará e o medo tolherá toda a nossa actividade, tudo fará escurecer o horizonte da nossa vida e as coisas que vão mal irão pior, porque os tais seres que atraímos pelas vibrações das nossas mentes virão para junto de nós e pedirão essa ordem de emoções, que para eles são alimento! E assim esses inocentes seres se convertem no que as religiões chamam demónios e nos farão infelizes, porque perturbam constantemente a nossa acção, tolhendo-a mesmo, e por esta via as nossas vidas se tornam cada vez mais sombrias, tristes e infelizes. E assim muitos chegam a cair nesse horrível crime que se chama suicídio. Outros enlouquecem; muitos perdem o domínio dos seus nervos, que se desarranjam e se convertem num tremendo obstáculo à evolução, pois de tal estado só desgraça pode resultar.
Não é qualquer pessoa capaz para escrever histórias para crianças. Este privilégio pertence a poucos, que certamente são dotados da sensibilidade moral necessária para o efeito, e foram pais, sabem avaliar os tesouros de amor que devem ser postos à disposição das crianças para as preparar para a vida sã que devem ter no futuro, e deste modo se prepara uma humanidade forte, consciente, apta para lutar e vencer.
Os pensamentos de receio e os de medo levam sempre ao definhamento das qualidades da alma e por isso mesmo os pais e os professores devem lutar pela inteira libertação da alma infantil desses demónios que tanto mal fazem, e só se afastam com atitudes vitoriosas.
Devemos lutar contra esses estados emocionais que chamamos receio, medo, ciúme, porque se não o fizermos seremos criminosos. E por isso aqui estamos hoje a levantar a cortina que nos oculta esses grande inimigo, para que o vençamos.
No mundo espiritual encontramos forças poderosas, sempre à nossa disposição para nos ajudarem, e o seu auxílio virá se disciplinarmos toda a nossa actividade por forma que possamos atrair somente os espíritos elementais que vibram e se alimentam com pensamentos activos, com as emoções que levam à vitória.
Desejamos ser bons, justos, ajudar todos os seres que vivem na face da Terra, e o poder divino estará sempre connosco para nos ajudar na luta pela nossa emancipação das condições penosas da Terra; Ele nos ajudará colossalmente a alcançar a vitória.
Devemos procurar ser optimistas, corajosos, sem nada temer. E para isso bastará procurar ser justo em tudo o que fazemos! O resto virá por acréscimo.
S. João, o mais profundamente conhecedor dos mistérios cristãos, diz-nos ao começo do seu evangelho, como tudo neste mundo e nos outros tem o seu ponto de partida na vibração:
"No princípio era o Verbo", o som a vibração criadora de Deus, que tudo ordenou e fez!
Sabemos como se utiliza em nossos dias o poder das vibrações, para os telefones, televisão, cinema e até para a simples fotografia existem aparelhos que registam vibrações que não vemos nem ouvimos! E também as vibrações se aplicam na cura das doenças.
Por isso não deve repugnar a pessoa alguma a doutrina deste modesto escrito.
Nós viemos do mundo espiritual, invisível, portanto, e a ele voltaremos quando a morte nos libertar das cadeias da ilusão terrena. Por esse motivo estamos bastante dependentes dos seres que povoam esse plano, e o que necessitamos é de um comportamento que nos permita seleccionar os que melhor convém ao nosso processo evolutivo. E para a referida escolha o melhor meio é o apontado: buscar a justeza em todas as nossas acções e assim nos tornaremos dignos de melhor sorte.
Francisco Marques Rodrigues
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